April 6, 2017
Eike
Malavasi

Internet das Coisas nos Seguros Residenciais

Internet das Coisas nos Seguros residenciais trazem inovações para o setor

Lembra-se da cena do Clube da Luta, em que o Edward Norton e a Helena Bonham Carter assistem a diversas explosões sincronizadas, pela janela de um edifício?Claro que você lembra, é um clássico!Tudo isso faz parte do projeto Mayhem, o qual foi deflagrado na mente do personagem do Edward Norton no dia em que… o apartamento dele mesmo explodiu!Isso foi no dia em que ele “conheceu” o Tyler Durden, e o reencontrou no bar, pois passou a ser um sem teto, já que seu apartamento não existia mais. E assim começaram suas aventuras.E o Clube da Luta só aconteceu porque o Edward Norton não tinha seguro no apartamento. Uma pena, não é mesmo?

Internet das coisas nos Seguros Residenciais

Como já falei no artigo anterior dessa pequena série, o mercado de seguros está passando por uma transformação digital, da mesma forma que o seu banco, seu transporte e sua alimentação. Mais que uma tendência, isso já é realidade. O mercado já possui as ferramentas e tecnologias para ampliar muito a sua capacidade de oferecer um seguro cada vez melhor para seus clientes.Em geral, as seguradoras poderão oferecer um serviço muito melhor, se baseando em três grandes pilares:

  • Medição e controle;
  • Capacidade analítica e tomada de decisão;
  • Experiência de usuário.

É bem simples, e vou te explicar cada um!

IoT fornecem ferramentas baratas e simples

Quando um carro sai de fábrica, ele já vem projetado para trazer diversos sensores no motor, rodas, volante, radiador e assim por diante. Cada componente tem uma série de sensores, que irão indicar para o sistema de controle do carro se ele está funcionando bem ou não.Isso permitirá ao motorista saber se seu produto está funcionando de acordo com o prometido pela montadora, mas mais do que isso, irá garantir a plena segurança dos usuários e demais transeuntes.No caso de uma casa, que leva muito mais tempo para ser construída, e ainda não costumam vir com praticamente nenhum tipo de sensor, como saber se você está suscetível à problemas nos alicerces, cupins, infiltrações ou até mesmo uma vizinhança perigosa?A resposta para essas e outras perguntas está na Internet das Coisas. Já falamos muito dela aqui no blog, inclusive com um belíssimo episódio de nosso podcast, o Techbeer.Em resumo, a Internet das Coisas é a conexão de qualquer dispositivo à Internet. Sua televisão, seu carro, wearables (smartwatches) e até smartphones: todos fazem parte dessa grande rede, com mais componentes do que há seres humanos na Terra.Com o barateamento dos dispositivos de prototipação de hardware, e o crescimento das startups dessa área, ter uma coleção de sensores em um dispositivo conectado não é mais tão caro nem tão futurista quanto pode parecer.Dando um exemplo pragmático: o mercado de termostatos é bastante aquecido nos Estados Unidos, onde o frio é bastante severo em vários meses do ano. Nesse contexto, surgiu uma startup vendendo termostatos inteligentes, que poderiam se conectar à rede wi-fi da casa e serem configurados via aplicativo.Tão bacana a ponto de chamar a atenção da gigante de tecnologia Google. Muito foi questionado sobre o que o Google sabe sobre termostatos, ou por quê iria entrar em um mercado de automação residencial.Logo, os críticos perceberam que o Google não comprou a Nest por querer entrar no mercado de termostatos, mas sim porque eles são uma empresa de dados, e querem oferecer serviços úteis (e propagandas úteis) para os usuários de seus serviços;Assim, quando um usuário não está navegando no seu Android, pesquisando no Chrome ou fazendo planilhas no Docs, deve estar na sua casa, relaxando. Em conjunto com um dispositivo como o Chromecast, acoplado à televisão, um termostato pode ajudar a entender boa parte da rotina dos usuários.E no início deste ano, o Google ainda lançou um assistente doméstico, desses que o usuário fala pra marcar um compromisso na agenda ou ditar as notícias enquanto toma café. Não me parece a coisa mais útil do mundo por enquanto, mas estamos a caminho de ter a nossa Rosie, dos Jetsons (lembra dela?)

Internet das coisas em desenhos das década de 1980

Esse crescimento do mercado de dispositivos inteligentes para residências, assim como uma gigante do mercado de tecnologia lançando seus tentáculos mostram a tendência da coleta de dados sobre as residências.Também dá poder aos residentes de entender o que se passa com a sua casa, da mesma forma que eu comentei com o carro, além de ativar sua seguradora rapidamente, no caso de sinistros ou necessidade de auxílio.E não serão apenas as casas. Logo, todo um ecossistema de casas, parques, edifícios, ônibus, carros e seus cidadãos comporão uma rede: uma Cidade Inteligente.

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Cidades serão o ecossistema das seguradoras

O termo Cidade Inteligente pode não ser familiar, mas basta pensar na Internet das Coisas aplicada a uma cidade, com dados abertos de forma a dar poder aos cidadãos sobre a cidade que compartilham.O que isso tem a ver com as seguradoras?É simples: cada casa é uma casa. Não faz sentido que eu, que moro em um apartamento em Campinas que nunca foi atingido por uma enchente, terremoto ou explosão, pague pelos mesmos serviços que uma mansão no centro de São Paulo onde o índice de invasões domiciliares é maior, por exemplo.Você já sabe, o negócio de seguros envolve conhecer características que possam prevenir a ocorrência de sinistros. Se a chance de algo ruim acontecer é maior, a seguradora está se arriscando mais para fazer o seguro, então irá cobrar mais.Informações demográficas, como o perfil social da vizinhança, taxas de criminalidade, efeitos climáticos, presença de parques, hospitais e escolas nas vizinhanças e até transmissão de doenças em certas regiões de uma cidade: são todos dados úteis para políticas públicas, e é claro, seguradoras.Isso também trará mais ferramentas para os vendedores de seguros, e para planos personalizados às necessidades específicas de cada cliente. Nada de escolher o plano mais barato ou o mais simples (porque tem uns tão complicados!)Um exemplo de como já estamos em uma era de cidades inteligentes foi uma das metas do plano de governo do prefeito de São Paulo, João Doria. No final de março deste ano, Doria prometeu ter 100% dos dados expostos pela prefeitura em formato aberto, para que qualquer cidadão de São Paulo possa analisar e usar tais dados da forma que preferir.Aqui na Sensedia, somos entusiastas pelo assunto. Já fizemos hackathon em parceria com a IMA (Empresa que cuida da TI de Campinas e outras cidades da região), e inclusive a participação de representantes da organização no APIX 2016, contando como foi esse case.

Mais poder ao usuário (e à seguradora)

Ao longo do artigo, já dei vários exemplos de como os segurados se beneficiarão:

  • Mais controle sobre suas residências, aumentando a segurança;
  • Mais personalização e variedade de planos de seguros vantajosos;
  • Mais ferramentas para contato com a seguradora e integração dos serviços oferecidos (omnichannel);

É claro, as seguradoras também ganham muito:

  • Corte de custos na obtenção de dados e controle deles;
  • Flexibilização dos planos e do trabalho dos vendedores;
  • Capacidade de analisar mais dados (big data) e tomar melhores decisões com eles (business intelligence).

Essa é apenas uma pincelada no assunto.Cheguei até o fim do artigo sem falar nada sobre APIs! Bom, é claro que elas estão envolvidas nisso tudo, permitindo as integrações entre softwares e hardwares. Mas nesse caso, o importante mesmo é a disrupção de um mercado, graças à tecnologia.Tecnologia esta, que se bem aplicada ao apartamento do personagem do Edward Norton, provavelmente teria evitado uma série de problemas, mas também teria evitado um dos melhores filmes de todos os tempos.Seria uma história bem diferente, mas que eu gostaria de assistir mesmo assim. Que venham as casas inteligentes!

Vamos bater um papo sobre suas estratégias digitais?

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Obrigado pela leitura!

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