Open Finance
6
min of reading
November 2, 2020

O que é o PIX do Bacen? A nova maneira de realizar transações bancárias

Eduardo Arantes
ABM Content & Communication
B2B marketer focused on technology and digital transformation, helping to provide useful information about Digital Strategies and Business opportunities for several industries.
More about the author
Back

As TEDs e DOCs estão com os dias contados a partir do lançamento do PIX. O Banco Central do Brasil anunciou uma nova ferramenta para pagamentos e transações bancárias instantâneas

As TEDs e DOCs fazem parte da rotina bancária de todos os clientes, seja dos tradicionais ou dos digitais. Por outro lado, muitos não sabem quais as diferenças básicas entre os dois modelos, e qual a finalidade de cada um deles.

Explicando TED e DOC rapidamente

TED (Transferência Eletrônica Disponível) é um tipo de operação bancária de transferência de valores entre contas do mesmo banco ou bancos diferentes. Ela é uma operação mais rápida, que é compensada no mesmo dia, se realizada até às 17:00 dos dias úteis da semana. Seu custo é geralmente maior por ser mais rápida e não há limite de valor a ser transacionado. 

DOC (Documento de Ordem de Crédito) é um tipo de operação mais lenta, que demora até 2 dias úteis para ser compensado e o valor máximo a ser transacionado é de R$4.999,99. Nos DOCs existem algumas particularidades para a contagem de tempo para compensação. Por exemplo, as transações efetuadas após as 22:30 serão creditadas 2 dias depois. Geralmente é uma opção mais barata do que as TEDs.

Nas contas em bancos tradicionais que optam por uma tarifa básica de serviços incluem algumas TEDs e DOCs “gratuitas”. Já os chamados bancos digitais, estão com um modelo para atração de novos clientes para TED ilimitadas, de fato, gratuitas. 

O que o PIX resolverá?

Em fevereiro de 2020 o Bacen (Banco Central do Brasil) anunciou um novo sistema instantâneos que permitirá a realização de pagamentos e transferências em, no máximo, 10 segundos. A previsão de lançamento é para novembro, e ele chegará para ser mais uma alternativa às TEDs e DOCs. Aqui, a única obrigatoriedade será para os bancos com mais de 500 mil correntistas que deverão se adequar dentro desse prazo. 

Além disso, o PIX não servirá apenas para transferência de valores entre contas, mas será um meio de pagamento poderoso a ser disponibilizado em diversos serviços, desde estabelecimentos comerciais até compras online, facilitando muito a experiência de compra e expandindo a possibilidade de pagamentos instantâneos, sem a necessidade de modelos pré-pagos ou de sistemas de pagamentos isolados. Todas essas transações estarão disponíveis 24 horas por dia e 7 dias por semana, ou seja, não haverá mais tempo “útil” de compensação das transações. Todas essas alterações prometem ser uma revolução no setor bancário e de pagamentos, fomentando bastante a competição no setor, uma vez que estará disponível para todos.

Mais segurança e redução de custos

O PIX não será apenas relacionado à maneira como as transações são realizadas, mas também envolve questões de seguranças. Além dessa agilidade, os fatores de autenticação de pagamento passarão por mais etapas, visando a mitigação de fraudes. Além disso, o uso de QRcodes adicionará mais uma camada de proteção para suas transações, trazendo mais um complicador, por exemplo, para fraudes por engenharia social, que são aqueles casos de contas e CNPJ vinculados a empresas fantasmas mas com nome muito similar a uma grande empresa.

Outro fator de segurança aqui é que as transações passarão pelo DICT (Diretório de Identificadores de Contas Transacionais) que utilizará autenticação TSL (Transport Layer Security) mútua, ou seja, o usuário precisa passar por processo de autenticação também. As APIs do PIX já estão disponíveis no Github do Bacen e lá você pode conferir a documentação e todos os recursos disponíveis. Como ele será disponibilizado através de APIs, cabe aos operadores da transação (bancos, adquirentes e fintechs) estabelecerem outras camadas de segurança, como autenticação biométrica, reconhecimento facial etc.

Além do PIX trazer uma série de novos recursos e segurança para as transações, um dos pontos mais relevantes é a redução de custos que ele trará para os bancos, e consequentemente para os clientes. Com esse novo modelo, estima-se que a cada 10 pagamentos realizados, o valor de R$0,01 será cobrado pelo Bacen o que  é um dos pontos para maior incentivo da competitividade no setor, uma vez que a expectativa é que a maioria dos bancos não repassam os custos aos clientes.

QR Code é a bola da vez

Uma das grandes inovações do PIX é a possibilidade do uso de QRCode para realizar transações tanto para pagamentos quanto para recebimentos. Hoje temos empresas como a Cielo com uso grande de pagamentos por QRCode, e o PIX vem para fomentar ainda mais esse uso. A ideia do Banco Central é que esse meio de pagamento seja implementado tanto para transferências bancárias, pagamento de produtos e serviços e também para tributos federais, o que pode resultar no fim dos boletos.

O uso do QRCode, segundo o próprio Bacen, possibilitará uma diversidade enorme de usos e que ele esteja diretamente conectado à conta dos correntistas, podendo os bancos oferecerem meios de pagamentos ágeis que não sejam as operações de débito. Vale ressaltar que o PIX oferece as bases para construção de soluções, portanto isso não inviabiliza as soluções de carteiras digitais. 

Outro ponto importante no uso do QRCode é a vantagem em relação aos tradicionais Códigos de Barras. Por ser uma tecnologia mais nova, essa nova maneira permite uma inserção maior de informações ou redirecionamentos web mais precisos. Além disso, câmeras de celular conseguem fazer uma leitura mais rápida e precisa, dispensando a necessidade de dispositivos específicos para essa finalidade. Além disso, é possível até mesmo as instituições financeiras elaborarem recursos de segurança para barrar tentativas de phishing através do QRCode, sendo mais uma vantagem para o uso da tecnologia. 

Inovações no setor de pagamento focadas em experiência do usuário

O setor de pagamentos é um dos que mais lança inovações constantemente. Como citamos, a Cielo com LIO e QRCode, porém existem tantas outras empresas que a cada dia lançam uma novidade no mercado. Na data deste artigo, o Whatsapp em parceria com a Cielo e Sicredi no Brasil entrou nesse mercado também, fornecendo um recurso que habilita pagamentos através do aplicativo de chat. Inicialmente os pagamentos serão realizados através do Facebook Pay, com uso de cartão de débito. Porém, a agilidade que isso trará para comerciantes e lojista é incrível, pois será a união de um canal de atendimento com um de fechamento de vendas. Envie o catálogo para o seu cliente, ele escolhe, e você já cobra o valor do produto sem ter que acionar aplicativos externos. 

A integração das jornadas é cada vez maior, e a capacidade de oferecer soluções digitais de impacto terá que ser uma característica se a empresa pretende competir dentro desse setor. A API Economy é realidade, e a necessidade de se adequar é urgente. A Sensedia oferece soluções de plataforma e consultoria e apóia seus clientes na habilitação das suas estratégias digitais, proporcionando uma arquitetura de integração moderna com monitoramento, segurança e escalabilidade

Thanks for reading!