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Como aumentar as chances de sucesso na nuvem – Por Kleber Bacili

Leia em Computer World
23/06/2010

Apesar de ter sido criado em 2006, em pouco tempo o conceito de cloud computing deixou de ser apenas uma tendência e se tornou um assunto bastante discutido e planejado pelas empresas de TI. Um levantamento feito pelo Gartner revelou que o modelo é prioridade para os CIOS brasileiros em 2010. Mas será que esses gestores conhecem os diversos contextos que podem ajudar suas empresas a se prepararem para cloud e estão atentos aos fatores que podem causar problemas para suas operações?

Cloud computing abrange uma série de conceitos como IaaS (Infrastructure as a Service), PaaS (Platform as a Service) e ainda o mais famoso de todos, SaaS (Software as a Service).

Durante uma palestra realizada na IV Conferência Anual de Tecnologias Empresariais, o analista e vice-presidente do Gartner, Daryl Plummer, afirmou que “apesar de estar fundamentada em conceitos já estabelecidos, a cloud computing ainda é, frequentemente, mal utilizada pelos gestores” e apontou governança SOA como uma importante ferramenta na obtenção de sucesso com a adoção de cloud computing.

Mas de que maneira governança SOA pode impulsionar a  maturidade de uma empresa para sua aplicação de cloud e de que forma ela aumenta as chances da empresa ter sucesso na adoção do conceito?
Cada vez mais serviços são disponibilizados na web e é cada vez mais comum as empresas adotarem soluções de negócio, como CRM e ERP, disponibilizadas na cloud no formato de SaaS. Com isso, cresce a necessidade de integração entre aplicações sendo usadas na nuvem com as aplicações internas.

Cresce, também, a dependência entre os processos de negócio da empresa e serviços utilizados a partir da nuvem. E, consequentemente, a falta de conhecimento das dependências entre aplicações, processos de negócio e serviços – internos ou na cloud – pode levar a interrupção dos negócios caso algum elemento crítico dessa malha de dependências pare de funcionar. É nesse cenário que as áreas de TI e negócios sentem a necessidade por Governança.

O primeiro passo é entender que Governança SOA está profundamente ligada com visibilidade e controle de responsabilidades. Conseguir saber quais aplicações existem, quais serviços são expostos e consumidos por quais aplicações e processos de negócio, ter informações ainda sobre componentes e rotinas reutilizáveis e sobre as integrações nos mais variados formatos usados pela empresa são preocupações constantes da Governança SOA.

Aliado a esse quesito de visibilidade, há o conceito de controle de responsabilidades, onde cada papel relacionado a criação e evolução dos itens listados acima precisa estar mapeado e atribuído a pessoas reais na empresas. É claro que existem vários níveis de maturidade diferentes e o desafio das empresas está em descobrir esse nível e definir seu processo de governança SOA com o “tamanho e peso” corretos.

Mas voltando a cloud, vamos a um exemplo para ilustrar o conceito da governança SOA aplicada a computação em nuvem: imagine o processo de negócio de cotação de seguro de carro. É normal que a precificação leve em consideração informações como: (i) o nível de criminalidade em determinadas regiões; (ii) histórico de pagamentos do proponente no mercado; (iii) informação sobre sinistros anteriores.  O(s) sistema(s) que suporta(m) esse processo de negócio pode ter, então, dependências de um serviço provido pelo IBGE (i); outro pela Serasa/Experian (ii) e um terceiro pela FENASEG (iii). E, caso algum desses provedores tenham problemas em seus serviços o processo de negócio de cotação, chave para a seguradora, pode parar de funcionar.

Todas as dependências entre os elementos mencionados nesse exemplo podem ser entendidas como invocações de serviços que caracterizam a abordagem SOA só que aplicadas ao novo conceito de cloud. Se a empresa determinar os responsáveis pelos diferentes tipos de elementos envolvidos numa solução e estabelecer processos e um ciclo de vida para controlar sua criação e evolução, a chance de sucesso, tanto em SOA quanto em cloud, especialmente SaaS, aumenta sensivelmente.

Com base nessas informações, é possível dizer que a Governança SOA permite que as empresas conheçam as dependências que seus negócios possuem de elementos externos, e, por isso, aquelas que investirem em governança antes de migrarem seus serviços para a nuvem estarão mais bem preparadas e com maiores chances de sucesso.

* Kleber Bacili é diretor de tecnologia da Sensedia

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