Imprensa | Radar

Mudanças tecnológicas radicais não garantem eficiência de TI, dizem CIOs

Leia em TI Inside
19/06/2009

As despesas correntes dos bancos brasileiros (excluindo-se os investimentos) evoluíram 7% de 2007 para 2008, ou seja, a mesma taxa de crescimento das transações bancárias. No mesmo período, o total das despesas correntes de TI sobre o total de despesas administrativas cresceu 3% e tiveram uma participação de 60% no total de gastos de TI, contra investimentos de 40%, ao passo que as melhores referências mundiais apontavam para uma relação inversa.

Pesquisa da Accenture realizada com CEOs revelou que o tópico "plataformas de TI obsoletas" foi um dos principais responsáveis pelo aumento os custos. Para a consultoria, os cinco pontos que as instituições financeiras devem concentrar o foco para se buscar a maior eficiência de TI são inovação, industrialização, integração, informação e infraestrutura.

"Mais do que se discutir se SOA [arquitetura orientada a serviços] ajuda ou não a empresa a ser mais eficiente é saber onde aplicar isso", observou Leonardo Framil, responsável pela área de serviços financeiros da Accenture e que atuou como mediador e coordenador de painel sobre "Eficiência de TI nos bancos" na Ciab Febraban, que terminou nesta sexta-feira, 19, em São Paulo.

Segundo ele, as instituições financeiras enfrentam atualmente um novo patamar de desafio, devido ao "impressionante" processo de sofisticação do sistema financeiro. Por isso, ele sustenta que a chave para se alcançar a eficiência da TI está na melhoria contínua da gestão de clientes e na governança estruturada. "Em 1980, uma instituição financeira tinha no máximo cem produtos financeiros, enquanto hoje elas têm mais de 350 produtos", compara.

Para o CIO do grupo Santander, Cláudio Almeida Prado, uma das principais barreiras para os bancos hoje é lidar, de um lado, com um ambiente altamente regulado, e de outro lado, com a flexibilidade necessária para atender o cliente. "Mas existe uma reflexão dos bancos para atender essa demanda."

Na opinião do diretor de tecnologia do Banco do Brasil, José Francisco Alvarez Raya, o grande desafio da área de TI é como ajudar a empresa a gerar mais receita com menos custos. Ele observa que nos dias atuais existem novos conceitos e tecnologias que devem já estar sendo discutidos e considerados com o intuito de tentar resolver a equação receita versus despesas. Como exemplo, ele cita o compartilhamento de caixas automáticos [os chamados ATMs], que, segundo ele, mais cedo ou mais tarde vai acabar acontecendo, por uma questão de eficiência operacional.

Raya diz ainda que os investimentos em back-office a que os bancos são submetidos "e que têm um custo violento precisam passar a pesar menos". Ele também chama a atenção para o fato de que, em função da crise e de exigências regulatórias, os bancos têm gasto muitos recursos em componentes de controle e gestão. "E isso tem de passar a ser feito de uma maneira mais inteligente. É preciso achar formas mais leves e baratas para atender as questões de controle. Se continuarmos usando as ferramentas tradicionais, os custos vão se tornar insuportáveis", disse o diretor de TI do BB, ao defender que os bancos têm que promover uma transformação no ambiente tecnológico para enfrentar esse cenário.

Essa opinião, porém, não é compartilhada por todos. Para o CIO do Banco Itaú Unibanco, Luís Antonio Rodriguez, "mudanças radicais na arquitetura de sistemas são extremamente difíceis e complexas no cenário que estamos vivendo hoje". "O processo de evolução é mais adequado, em vez de uma transformação radical das aplicações", defende. A mesma opinião tem o CIO do Banco Votorantim, Laércio Paiva Júnior, para quem grandes mudanças têm de ser feitas em pequenas porções, mas de maneira consistente e constante. "Eu diria que é apostar nas novas tecnologias, mas sem grandes rupturas." O CIO do grupo Santander, Cláudio Almeida Prado, vai na mesma linha de raciocínio ao dizer que não existe possibilidade de mudanças radicais na arquitetura e na infraestrutura, mas observa que essas transformações devem ser feitas na forma de se gerenciar a tecnologia.

O diretor de TI do Banco Brasil faz questão de esclarecer, porém, que quando fala em transformação não está se referindo apenas à infraestrutura tecnológica, mas também ao relacionamento com os parceiros e fornecedores. "Os fornecedores estão deixando de ser simplesmente fabricantes de hardware ou de caixas de software e se tornando prestadores de serviços. E essa mudança de perfil acaba modificando também o relacionamento que temos com eles", salienta Raya. "O core [da infraestrutura] de ser preservado, mas ao mesmo tempo precisa evoluir e numa velocidade cada vez maior", observa ele, ao alertar que os bancos têm de ficar atentos às mudanças que estão vindo por aí, como a tecnologia de cloud computing e a modalidade de venda de software como serviços (SaaS).

<< Voltar para notícias

Veja também:

Destaques

  • VMware CEO says cloud computing technologies are the future
    As tecnologias de computação em nuvem e virtualização foram o foco da palestra de Paul Maritz no VMworld 2011. Segundo ele, o futuro da TI está sentado em tecnologia de nuvem. Em três anos vamos ter novas técnicas e novas abordagens introduzidos no mundo da TI.
  • DLP: vale a pena investir na tecnologia para proteger dados?
    A filtragem de conteúdos DLP continua a ser uma tecnologia muito cara, que obriga as organizações a gastarem dinheiro em componentes que nunca chegam a utilizar ou mesmo a instalar. A tecnologia DLP pode ser utilizada para proteger informações sensíveis de clientes, impedindo-as de serem transmitidas de forma não autorizada.
  • OASIS releases latest draft of 'foundation of modern SOA understanding'
    OASIS, the enterprise architecture standards body, has just released the third draft of its “SOA Reference Architecture Foundation”. The key purpose of the document is better define the business role in technology integration.
  • Arquitetura SOA cria plataforma para cloud computing, diz IDC
    De acordo com analista da consultoria, nuvem é uma das tecnologias responsáveis pelos investimentos na arquitetura orientada a serviços, que devem crescer até 25% em todo o mundo entre 2008 e 2013.
  • Arquitetura Orientada a Serviços depende de segurança
    Forrester recomenda criação de sistemas de proteção que sejam integráveis às demais soluções da companhia. Gestor de TI deve ter em mente que iniciativa precisa ser flexível e aplicável no longo prazo
  • SOA: Dead Or Alive?
    SOA is far from being dead, outdated, or irrelevant
Sobre a Sensedia Produtos Soluções Clientes Imprensa Notícias Contato
Sensedia 2009. Todos os direitos reservados. Contato
Facebook Twitter YouTube Linkedin Slideshare Blog CW Connect