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Como será o próximo ano para as empresas de tecnologia?

10/11/2008

São Paulo - Setores de serviços e de entretenimento não devem ser prejudicados. Mas eletrônicos de luxo e software sentirão desaceleração.

A crise global trouxe perspectivas pouco otimistas para a economia como um todo. A iminente recessão deve fazer com que os consumidores e empresas tirem o pé do acelerador e gastem com mais cautela em boa parte do próximo ano. Mas isso não quer dizer que o período vai ser tenebroso para a economia em geral - e mais especialmente para o setor de tecnologia, de acordo com consultores ouvidos pela reportagem do IDG Now!.

"De maneira geral, um desaquecimento afeta todos os setores e o aumento do dólar pode prejudicar alguns mercados que têm insumos importados. Mas a IDC não prevê um mercado (de tecnologia) menor em 2009", disse Reinaldo Roveri, gerente de pesquisas de Enterprise Solutions da IDC Brasil.

Segundo Roveri, o que deve acontecer é uma desaceleração nos gastos, com muitos "projetos postergados para o próximo ano". Uma parada geral, no entanto, não está no horizonte. "As empresas não podem parar de funcionar. Muitos projetos que já estavam no meio são mais caros de serem cancelados do que finalizados", disse o consultor.

Ele destaca ainda que os últimos meses de 2008 não serão tão ruins como se pensava. "A grande expectativa envolve os meses de novembro e dezembro. Por um lado temos grandes forças inibidoras, como a variação da taxa de câmbio e o nível de conservadorismo das empresas", disse. "Do outro, temos a necessidade das empresas de gastar seus orçamentos. Como elas prevêem uma desaceleração, é provável que elas corram para comprar o máximo possível para usar em 2009."

Ordem é economizar
Nesse cenário, quem sai na frente são as empresas de serviços e de soluções voltadas a reduzir gastos. "Todas as tecnologias que contribuem para uma redução de custo, como sistemas de virtualização, voz sobre IP e softwares de análise de risco, saem na frente", disse o analista da IDC

A consultora de tecnologia Amyris Fernandes ecoa a opinião do colega. "O setor de prestação de serviços vai ter um grande valor e vai ser mais apreciado daqui para frente", disse ela. "De uma maneira geral, o setor de software, sofrerá uma redução. Hoje em dia, todo mundo tem tecnologia suficiente dentro de casa. O negócio agora é aproveitar melhor a base instalada", afirmou.

Serviços de cloud computing e web 2.0, como o Google Docs, também estão em alta. "Todo software gratuito de produtividade será atrativo", disse Roveri. Segundo ele, isso cria oportunidades. "Aquelas empresas que continuarem oferecendo serviços para os internautas tendem a ganhar dinheiro."

Games em alta
Um setor que deve continuar navegando em ondas relativamente tranqüilas é o de entretenimento, segundo a consultora Amyris Fernandes, com destaque especial para os jogos eletrônicos. "A indústria de entretenimento ganha mais do que qualquer outra. Uma das razões é o famoso "pão e circo": as pessoas consomem mais produtos relacionados com diversão, sem sair de casa", afirmou.

Mas, na avaliação da consultora, a alta do dólar deve atingir os aparelhos considerados topo de linha. "Os produtos muito caros não vão ser absorvidos" no mesmo ritmo de 2008. Roveri, da IDC, concorda. "A classe A e B, que não consegue viver sem computador, deve continuar comprado computadores, por exemplo," disse o consultor. "Mas aqueles produtos que têm apelo menor ou são mais dispensáveis serão mais afetados."

Segundo o analista da IDC, a instabilidade econômica vai afetar o mercado de tecnologia brasileiro pelos próximos dois anos. "O pior ano da crise deve ser 2009. Em 2010 teremos uma certa tensão por causa da sucessão presidencial", afirmou. Já Amyris não considera a situação preocupante. "Tudo vai voltar a um patamar que a gente muito tempo não via, que é o patamar normal. O que a gente chama de crise é um retorno ao bom senso."

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