Entrevistas
Tiago Tel, Instituto de Pesquisas Eldorado
12/09/2008
DA Insight: Quais as metas a partir da implementação do sistema de reúso e componentização?
Tiago Tel: Com a definição e implantação desse processo no instituto, temos como meta a reunião dos diversos componentes até agora espalhados nos diferentes projetos, agilizando o reúso e desenvolvimento de novos sistemas. Tudo isso levou a um acordo com a DigitalAssets, e queremos alcançar níveis de reúso compatíveis com empresas líderes no mercado, diminuindo os custos dos projetos e aumentando a nossa capacidade competitiva. Ao mesmo tempo, a meta principal é a construção de componentes estratégicos que garantam ao Eldorado sair na frente em relação a novas tecnologias. Mas não queremos parar em componentes de software, mas estender para componentes de hardware, documentação e todos os tipos de ‘assets’ que o instituto pode reutilizar em algum momento.
DA Insight: Esse projeto certamente trouxe alguns desafios extras, não é?
Tiago Tel: Sem dúvida. Os principais desafios provêm da mudança de visão que os desenvolvedores, gerentes de projeto e, principalmente, arquitetos têm de realizar. Ganhar a confiança e fazer com que todos se envolvam e comprem a idéia é a principal barreira. Outro desafio importante é quanto ao modelo de negócio do Eldorado, que vê seus clientes como parceiros. Isso implica, muitas vezes, em termos todo o desenvolvimento de componentes compartilhado com eles. Ter diferentes parceiros implica também em um nível muito grande de confidencialidade em qualquer desenvolvimento, seja ele de novos componentes ou não.
DA Insight: A DigitalAssets tem um papel fundamental no desenvolvimento desse projeto inovador?
Tiago Tel: O próprio sistema adquirido da DigitalAssets ajuda a vencer os principais desafios. Isso porque o DA Manager já exige que se altere a forma de se observar e tratar os componentes existentes. A ferramenta também ajuda na solução de problemas de confidencialidade e facilita a identificação de possíveis ganhos no momento da criação e execução de um novo projeto. Além da ferramenta, a DigitalAssets colabora com a construção de um processo que se encaixe no que já foi definido pelo instituto (compatível com CMMI) para, aos poucos, ir alterando a forma de se trabalhar com possíveis componentes. Questões como entender os limites e fronteiras dos componentes, arquiteturas e como inseri-los nas propostas também foram discutidas com a DigitalAssets, que trouxe sua experiência ao nosso contexto de projetos.
DA Insight: O reúso e a gestão do acervo do Eldorado trarão quais benefícios?
Tiago Tel: Manter um repositório único para os componentes já traz, por si só, um benefício bastante grande. Poder disponibilizar e encontrar componentes com facilidade, em um lugar único, já é altamente significativo para o Eldorado. O reúso fica intensificado com esse ponto comum, que agrega diferentes projetos e departamentos. E a gestão do acervo também garante políticas para agilizar e padronizar sua utilização, criando uma cultura de componentes e reúso fundamental para o instituto alcançar uma maior competitividade no mercado e agregar mais valor aos projetos. Além disso, a gestão do acervo garante meios para se medir e avaliar as estratégias em relação aos componentes criados. As métricas levantadas nos ajudam a determinar quais pontos devem ser atacados, ajudando no planejamento.
DA Insight: Principalmente em relação ao investimento inicial, qual o retorno esperado?
Tiago Tel: O projeto tem metas de trazer para o Eldorado o retorno de tudo o que foi investido na sua implantação. Em um primeiro momento, espera-se que os projetos tenham ganhos moderados, porém crescentes com os componentes criados e reutilizados. E com o aumento do acervo de componentes, a idéia é alcançar padrões de empresas altamente componentizadas, gerando mais negócios e competitividade no mercado.
DA Insight: Quais os resultados já obtidos até agora?
Tiago Tel: Hoje, observa-se um processo de mudança na cultura de reúso. Mesmo com o processo de comunicação ainda não finalizado, diferentes áreas vêm interagindo, tendo como ponto central um grupo de reúso criado por nós. Isso vem gerando cada vez mais entradas para o desenvolvimento de novos componentes, bem como um reúso cada vez maior dos componentes criados. O acervo de componentes vem crescendo com um processo já definido para sua alimentação. Novos colaboradores têm se comprometido com a idéia e os próximos passos devem garantir uma disseminação maior ainda do processo. A meta é alcançar o envolvimento completo do instituto.
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