Entrevistas
Alexandre Peixoto - Synchro
01/04/2008
Alexandre Peixoto é diretor de desenvolvimento de software da unidade de Campinas da Synchro, uma das maiores provedoras brasileiras de soluções fiscais, que atende clientes como McDonalds, Vale, C&A e Embratel. Engenheiro mecânico-aeronáutico formado em 1983, Peixoto fez pós-graduação em Pesquisa Operacional Aplicada. Trabalhando na Synchro desde 1991, nesta entrevista ele conta a experiência da empresa na implantação de SOA.
DA Insight: Por que investir em SOA?
Alexandre Peixoto: Como empresa provedora de software aplicativo, nós precisamos estar atualizados com as inovações tecnológicas. A Synchro acredita que esse mercado deve migrar do modelo tradicional, de licença de uso e manutenção, para o modelo de oferta como serviço (SaaS). Nesse contexto, investir em SOA é um pré-requisito para desenvolver nossa nova família de soluções.
DA Insight: Como selecionar a arquitetura adequada ao seu negócio?
Alexandre Peixoto: Uma boa solução de software requer um bom processo, domínio do problema, capacidade de realização (recursos humanos, tecnológicos) e, finalmente, um bom conjunto de modelos que minimizem riscos. É nessa última categoria que encaramos a arquitetura. Com a constante evolução dos requisitos de negócio e da tecnologia, procuramos uma arquitetura alinhada às características de nossas soluções, que nos permitisse desenvolver uma nova geração de produtos, de forma a atender a infra-estrutura de TI existente hoje nas empresas e aquela prevista para os próximos anos. O modelo SOA nos pareceu ser a melhor escolha.
DA Insight: Quais os benefícios do uso de SOA?
Alexandre Peixoto: As freqüentes mudanças que o fisco impõe exigem agilidade e respostas rápidas. A implementação dessas obrigações usando novas tecnologias - como webservices - vai impulsionar o uso da Internet como canal de integração entre as empresas. Nesse cenário, entendemos que a oferta de software como serviço será muito mais competitiva, pois os custos de implantação, gestão e infra-estrutura das aplicações, por exemplo, podem ser rateados entre os vários assinantes e seus usuários. Por isso, a opção SOA. Além do mais, é uma arquitetura que, aliada à componentização, auxilia em muito o reúso. Isso minimiza prazos e custos de novos desenvolvimentos na medida em que cresce o ativo de softwares desenvolvidos.
DA Insight: Quais foram os primeiros passos da Synchro para implantação de SOA?
Alexandre Peixoto: Poderíamos ter seguido o caminho de criar uma camada de serviços ao redor de nossa solução em produção, que é cliente-servidor. E, conforme a necessidade, alterar alguns processos de forma a disponibilizar os serviços requeridos. Porém, dois fatores nos levaram a optar pelo uso de SOA numa solução totalmente nova: o uso da internet e a revolução que o fisco está implantando, com documentos fiscais e escrituração fiscal e contábil eletrônicos.
DA Insight: Quais os desafios encontrados e quais as estratégias criadas para superá-los?
Alexandre Peixoto: Os desafios são grandes, já que a orientação a serviços traz várias inovações em tecnologia, como middleware de conectividade e de orquestração, além de conceitos com significativo impacto no processo de desenvolvimento. Mas creio que o maior desafio foi o entendimento e a formulação de um bom modelo, visto que “pensar” orientado a serviços não é tarefa trivial. Iniciamos pelo entendimento dos conceitos e benefícios de SOA.
Chegamos à conclusão de que pedir auxílio a alguém que já tivesse trilhado o caminho iria economizar muito tempo e dinheiro. Foi nesse ponto que procuramos a DigitalAssets, inicialmente com o objetivo de definir a Arquitetura de Referência orientada a serviços que iria suportar a construção dos produtos para a nova plataforma. Também acabamos por identificar a necessidade de gestão do ativo de software e contratamos a DigitalAssets para as duas frentes.
Hoje, a Synchro está usando a ferramenta DA Manager e serviços de consultoria para desenhar sua arquitetura de referência e os processos de governança SOA. Durante esse processo, a Synchro tem mantido frentes de pesquisa de ferramentas e componentes para acelerar e aumentar a qualidade de seu processo de desenvolvimento e, conseqüentemente, da solução disponibilizada para o mercado.
DA Insight: A flexibilidade parece mesmo um ponto forte dessa estratégia, não é?
Alexandre Peixoto: Sem dúvida. Estamos reorganizando as funcionalidades de nossa solução em componentes menores, autônomos e com interfaces e serviços bem definidos. Isso amplia a oferta ao mercado. Um cliente, por exemplo, poderá adquirir em separado desde componentes e serviços especializados até um serviço de cálculo tributário, outro de assinatura digital, um outro de impressão de documentos fiscais, ou mesmo um conjunto de módulos completos como o NF-e Manager (gerenciamento de nota fiscal eletrônica) e outros módulos de gerenciamento do processo fiscal disponíveis na Solução Fiscal Digital Synchro. Com essa abordagem, a Synchro pretende atender não somente seu cliente final (o contribuinte), mas também portais de serviços e provedores de solução de nicho que não têm o foco de seu negócio na questão tributária e fiscal, mas que necessitam tratá-la com agilidade, correção e confiabilidade.
DA Insight: Quais os resultados esperados com o investimento nessa estratégia?
Alexandre Peixoto: O desafio da Synchro é fornecer uma solução com custos de manutenção reduzidos e flexibilidade no atendimento, respondendo assim às novas necessidades de negócio. O atendimento de mudanças legais na plataforma desenvolvida a partir da adoção de SOA, aliada à componentização e reúso, tem seu prazo reduzido, pois concentra as alterações em poucos pontos da solução. Nesse sentido, os resultados que já podemos mensurar são: a motivação de nossa equipe, a redução do ciclo de desenvolvimento de novas versões em 50% e o aumento de qualidade do produto gerado – redução de bugs e prazo de estabilização da versão também na ordem de 50%. Esperamos, a partir de novos projetos gerenciados pelo DA Manager, obter também métricas de economia por reúso.
DA Insight: Qual a importância das tecnologias Web como um dos motores de SOA?
Alexandre Peixoto: A facilidade de acesso. A Web é um grande canal para disponibilizar e acessar serviços. Cada vez mais veremos serviços populares e de credibilidade substituírem o uso tradicional de aplicações “in house”.
DA Insight: Qual a sua visão sobre a segurança em ambiente de SOA?
Alexandre Peixoto: Existem dois aspectos: evitar uso indevido e assegurar a robustez da aplicação. O primeiro precisa ser considerado no desenho dos componentes e serviços, dotando-os do mesmo nível de segurança ou maior do que existe nas interfaces de usuário tradicionais (telas). No NF-e, por exemplo, o acesso aos serviços passa por camadas de reconhecimento do solicitante, o que é feito por assinatura digital, e de autorização de uso do serviço, o que é feito por regras de negócio mantidas pela aplicação.
No segundo aspecto, precisamos assegurar que os serviços não produzam resultados indevidos, independentemente da forma em que forem orquestrados. Quanto mais baixa a granularidade, maior o reúso e a chance de efeitos indesejados. Aí entra a necessidade de governança do software. A solução de SOA da DigitalAssets agrega valor ao nosso processo, uma vez que nos permite gerenciar os ativos de software nos vários níveis de granularidade. E a governança é uma condição fundamental para uma solução SOA segura.
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